segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A última porta



Olhando para o teto de meu quarto,
cinza desbotado, descascando, 
coberta por lençóis finos,
com meu corpo pesado,
pensava seriamente em me levantar.

"Porque não se levanta?"
Eu me perguntava.
"Ande, ele te espera! Vá atrás dele!"
Disse a mim mesma animada,
mas uma culpa imensa me prendia ali.
Como poderia querer alcançá-lo? 

Todos me disseram que não conseguiria,
porque agora?
Porque eu?
Devo mesmo seguir em frente, ou
olhar para os lados e ver...
novas chances de vida?
Não! Quero ir até ele, mesmo que demore.

Com dificuldade me levantei da cama fria,
olhei para o quarto com poucos móveis,
Sim! Vou atrás dele,
nem que demore a vida inteira.
Não vou desistir.

Passei pela porta, velha de meu quarto,
e observei atentamente o corredor
que se surgia,
longo, escuro e úmido,
com portas trancadas, e algumas entreabertas,
caminhando devagar, evitando possas de água.

Uma parede me chamou a atenção,
feita de pedras,
com uma pequena parede velha, e enferrujada, 
como a de meu quarto,
esta era mais velha, e feita de madeira, 
pequena e com uma tranca simples.

É esta, esta é a minha porta,
este é meu caminho,
me abaixei sujando ainda mais minhas roupas 
surradas, e gastas.
Me ajoelhei sujando meus joelhos,
de musgo, que indicada que a porta estava molhada,
abri a tranca e uma luz forte quase me segou.

A luz dos meus sonhos, 
o caminho que eu deveria seguir esta ali, ele.
O que tentei evitar.
Sim! Vou entrar.


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